Hwasa subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio às 19h (horário de Brasília) desta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, e entrou para a história do festival como a primeira artista solo de k-pop a se apresentar no principal palco da Cidade do Rock. A cantora do MAMAMOO integrou o line-up do chamado Dia do K-pop, que também reuniu NEXZ, Alok e o Stray Kids — a primeira vez que o Palco Mundo dedicou uma noite inteira ao gênero.
Para o público brasileiro que acompanha k-pop há anos, a data tem peso duplo: além do ineditismo no festival, foi a estreia de Hwasa no Brasil como artista solo. Ela já havia passado pelo país em turnês do MAMAMOO, mas nunca com um show assinado apenas pelo próprio nome.
Quem é Hwasa, a artista que desafia padrões no k-pop
Por trás do nome artístico está Ahn Hye-jin, 31 anos, sul-coreana. Ela estreou profissionalmente em 2014 como integrante do MAMAMOO, grupo formado ainda por Solar, Moonbyul e Wheein e conhecido por uma pegada vocal mais próxima do R&B e do soul do que a média do k-pop da época.
Dentro e fora do grupo, Hwasa construiu uma imagem que foge do molde tradicional da indústria coreana: voz grave e marcante, presença de palco sem filtro e um discurso constante sobre autoestima e aceitação do próprio corpo — tema que atravessa faixas como "I Love My Body". Em um mercado historicamente rígido quanto a padrões estéticos e comportamento de idols, essa postura a transformou em referência para parte do público, especialmente entre fãs mulheres.
De "Twit" a "Good Goodbye": a carreira solo em números
A carreira solo começou em 2019, com o single "Twit". No ano seguinte veio o primeiro álbum solo, "María", cuja faixa-título ultrapassou 357 milhões de visualizações no YouTube e se consolidou como o cartão de visitas da cantora — coreografia, refrão e estética entraram de vez no repertório do fandom.
Em 2023, com o MAMAMOO passando a se reunir de forma esporádica, Hwasa assinou com a P Nation, gravadora fundada pelo cantor e produtor Psy. Foi por essa casa que saiu, em 15 de outubro de 2025, a balada "Good Goodbye" — de longe o maior feito comercial da carreira dela.
A música teve uma trajetória incomum: em vez de estourar na semana de lançamento e cair, subiu aos poucos. Em 30 de novembro de 2025, 46 dias depois de sair, conquistou o perfect all-kill, quando uma faixa lidera simultaneamente todas as principais paradas coreanas. Depois liderou também os rankings semanal e mensal do Circle Digital Chart e, em janeiro de 2026, tornou-se a música com mais perfect all-kills já contabilizados por uma artista solo — atrás apenas de "Golden", do grupo fictício Huntrix, no ranking geral de todos os tempos.
A polêmica de 2023 — e o caso arquivado
Parte da fama de Hwasa como artista que "desafia tabus" vem de um episódio de 2023. Em 12 de maio daquele ano, durante uma apresentação no festival da Universidade Sungkyunkwan, gravada para o programa "Dancing Queens on the Road", do canal tvN, ela fez um gesto considerado obsceno por uma associação de pais durante a performance da faixa "Don't".
A entidade registrou uma denúncia por indecência pública na delegacia de Seongdong, em Seul, alegando que o gesto teria causado desconforto na plateia. A polícia abriu investigação e chegou a ouvir a cantora sobre a intenção por trás da performance. O desfecho, porém, foi favorável a ela: as autoridades concluíram que não havia elementos para caracterizar crime e o caso foi arquivado, sem que qualquer acusação formal fosse apresentada.
O episódio virou combustível para um debate maior na Coreia do Sul sobre os limites entre performance artística e conservadorismo — discussão que ajuda a explicar por que a presença de Hwasa em um palco como o do Rock in Rio soa, para muitos fãs, como algo além de um show.
O setlist previsto para o show no Rock in Rio
O repertório oficial só se confirma no palco, mas a expectativa publicada pela imprensa brasileira antes da apresentação, com base em shows recentes, apontava para uma mistura de hits solo e faixas do MAMAMOO:
- "TWIT", o single de estreia solo;
- "Maria", o maior clássico da carreira dela;
- "I Love My Body", faixa-manifesto sobre autoestima;
- "Don't", "Somebody!", "Snooze", "Lemon", "Walk On By", "I'm a B", "LMM", "Intro: Nobody else" e "Chili", do repertório do MAMAMOO.
Sobre o convite, a própria cantora resumiu o sentimento em comunicado à imprensa: como alguém que ama profundamente o Brasil, se apresentar no maior festival do país seria uma honra enorme para ela e para a equipe.
Como foi o Dia do K-pop na Cidade do Rock
A programação de sexta-feira no Palco Mundo começou com o NEXZ, às 16h40, seguido por Hwasa, às 19h, e Alok, às 21h20. O encerramento ficou por conta do Stray Kids, que subiu ao palco à 0h05 de sábado (12) como primeiro grupo de k-pop a encabeçar o principal palco do Rock in Rio.
Quem não estava na Cidade do Rock pôde acompanhar pela transmissão do festival: o Multishow exibiu os shows do Palco Mundo e do Palco Sunset a partir das 15h15, com cobertura completa também no Globoplay.




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