O boicote do BTS ao Grammy ganhou um novo capítulo. O produtor Sleep Deez, vencedor do Grammy pelo álbum "The E.N.D.", do Black Eyed Peas, e colaborador de trabalhos do grupo coreano, revelou em uma transmissão ao vivo que, segundo uma fonte dentro da Recording Academy, o BTS seria usado como uma espécie de "cobaia" da nova categoria de Melhor Performance de Pop Asiático. A declaração veio à tona nesta semana, poucos dias depois de o septeto anunciar que não vai disputar o Grammy 2027, marcado para 7 de fevereiro.
O que o produtor revelou sobre o BTS e o Grammy
De acordo com Sleep Deez, um membro da Academia admitiu nos bastidores que a premiação enxergava a vitória do BTS na estreia da categoria como o melhor cenário possível. Nas palavras relatadas pelo produtor, o prêmio "não foi criado para o BTS", mas o integrante "estaria mentindo se dissesse que vê-los como os primeiros vencedores não seria o sonho do Grammy".
A lógica, segundo ele, era simples: se o grupo mais popular da Ásia levasse o troféu inaugural, a credibilidade da nova categoria dispararia da noite para o dia, incentivando outros artistas asiáticos a inscreverem seus trabalhos. Sleep Deez deixou claro que apoia o reconhecimento de artistas asiáticos, mas defende a inclusão real nas categorias principais — e não o que chamou de segregação em uma vitrine separada.
Relembre: por que o BTS recusou o Grammy 2027
A categoria Melhor Performance de Pop Asiático foi oficializada pela Recording Academy em junho de 2026, abrangendo gêneros como k-pop, j-pop e c-pop, com estreia prevista para a 69ª edição da premiação. A resposta do BTS veio em 29 de julho: em comunicado publicado nas redes sociais, o grupo anunciou que não inscreveria seu aclamado álbum "Arirang" na disputa, defendendo que a música deve ser apreciada por sua essência, e não separada por região ou idioma.
O CEO da Recording Academy, Harvey Mason Jr., disse ter ficado triste com a decisão e defendeu a categoria como uma forma de "celebrar a profundidade, a diversidade e o crescimento extraordinário do pop asiático". A HYBE, empresa do grupo, esclareceu que a escolha vale apenas para o BTS — os demais artistas do seu casting seguem livres para participar.
Quem apoiou a decisão do grupo
Até agora, poucos nomes se juntaram publicamente ao boicote, mas as manifestações de apoio não passaram despercebidas:
- Tablo, do Epik High, republicou o comunicado de RM com a frase "ARIRANG > Grammys";
- Bang Yong-guk, ex-B.A.P, compartilhou a notícia do boicote;
- O ator Daniel Dae Kim também se posicionou sobre a controvérsia.
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que o BTS chegou a um ponto da carreira em que não precisa mais da validação de instituições ocidentais — e lembram que as categorias tradicionais do Grammy não têm restrição geográfica, o que torna a nova categoria potencialmente excludente.
O que isso muda para o fã brasileiro
Para o ARMY brasileiro, que transformou o Brasil em um dos maiores fandoms do grupo fora da Ásia, a revelação reforça o sentimento de que a desconfiança do BTS tinha fundamento. Na prática, "Arirang" segue fora da disputa do Grammy 2027, mas o álbum continua rendendo: a discussão sobre o espaço do pop asiático nas grandes premiações deve seguir quente até a cerimônia de 7 de fevereiro de 2027 — e a pressão agora recai sobre os outros grupos de k-pop, que precisam decidir se inscrevem seus trabalhos na categoria rejeitada pelo BTS.




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