O BTS foi apontado pelo jornal americano The New York Times como "possivelmente o maior fenômeno musical do mundo desde Michael Jackson". A análise, publicada no último fim de semana e repercutida pela imprensa brasileira nesta segunda-feira (11 de agosto de 2026), usa a decisão do grupo de boicotar o Grammy 2027 como ponto de partida para discutir as barreiras que artistas de fora do eixo americano ainda enfrentam na indústria da música.
O que o The New York Times disse sobre o BTS
No texto, o jornal vai além do elogio. Para o NYT, o grupo formado por RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook é "talvez o único grupo de música coreana com a liberdade e a influência necessárias para provocar uma mudança radical" na indústria. A publicação encerra o raciocínio com uma pergunta provocativa: "Será este o momento em que artistas e empresários vão se unir para forçar as principais instituições deste setor a romperem com seu vício em racismo disfarçado de demografia?"
A comparação com Michael Jackson não é só sobre números. O jornal lembra que o Rei do Pop também precisou derrubar estruturas da indústria americana nos anos 1980 — das rádios à MTV — para ser tratado como artista global, e enxerga no BTS um movimento parecido: um grupo grande demais para ser encaixotado em uma categoria regional.
Por que o boicote ao Grammy 2027 motivou a análise
A análise chega poucas semanas depois de o BTS anunciar, no fim de julho, que não vai inscrever o álbum ARIRANG no Grammy 2027. A decisão veio na sequência da criação, pela Recording Academy, de cinco novas categorias — entre elas a Best Asian Pop Music Performance (Melhor Performance de Pop Asiático), lida por fãs e críticos como uma forma de tirar artistas asiáticos da disputa nas categorias principais.
No comunicado, publicado pelos sete integrantes ao mesmo tempo, o grupo não citou a categoria diretamente, mas o recado foi claro: "Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que ela é, em vez de ser separada por região ou idioma". O prazo de inscrições para a premiação termina em 21 de agosto de 2026 — ou seja, o BTS abriu mão da corrida com antecedência, em um ano em que era favorito.
Desde então, a polêmica só cresceu: o CEO da Recording Academy veio a público dizer que "entende e respeita" a decisão, e um produtor vencedor do Grammy chegou a afirmar que o BTS estaria sendo usado como "cobaia" da nova categoria.
Os números que sustentam a comparação com Michael Jackson
O peso do elogio fica mais fácil de entender olhando o momento do grupo:
- A turnê mundial ARIRANG levou a HYBE a uma receita recorde de quase US$ 1 bilhão em um único período.
- O álbum ARIRANG voltou ao top 10 da Billboard 200 meses após o lançamento, impulsionado pela apresentação do grupo na final da Copa do Mundo.
- No Brasil, os ingressos para os shows do grupo esgotaram em cerca de 23 minutos, com mais de 1,9 milhão de pessoas na fila virtual da Ticketmaster.
BTS no Brasil: onde o ARMY entra nessa história
Para o público brasileiro, a análise do NYT chega em ótima hora: o BTS faz três shows no Estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026, dentro da turnê ARIRANG. Na venda geral, aberta em abril, os ingressos variaram de R$ 340 (meia-entrada em arquibancada) a R$ 1.250 (inteira na pista), além de pacotes VIP — e esgotaram em minutos.
O ARMY brasileiro, aliás, é citado com frequência como um dos mais engajados do mundo, e a passagem da turnê pelo país deve movimentar a economia local como poucos eventos internacionais. Se o The New York Times está certo, outubro será a chance de ver de perto o "maior fenômeno musical desde Michael Jackson" — no horário de Brasília.




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