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K-Pop

Como os fãs do BTS viraram uma potência econômica global — com o Brasil no meio da festa

Por Min-Jae Lee
BTS no palco durante apresentação de show da turnê, com iluminação roxa

Relatórios de mercado projetam US$ 5,3 bilhões em gastos do ARMY na turnê ARIRANG e impacto direto no PIB da Coreia do Sul até 2040. No Brasil, o fandom esgotou três noites no MorumBIS em menos de uma hora e meia.

Os fãs do BTS provaram em 2026 que são muito mais do que uma torcida barulhenta do k-pop: o ARMY virou uma potência econômica global. A corretora sul-coreana NH Investment & Securities estima que a turnê mundial ARIRANG, iniciada em 9 de abril em Goyang, na Coreia do Sul, deve movimentar cerca de 8 trilhões de wons — o equivalente a US$ 5,3 bilhões — nas cidades que recebem os shows. O fenômeno já ganhou até apelido entre os analistas: BTSnomics. E o Brasil está no centro dessa onda, com três noites esgotadas no estádio MorumBIS, em São Paulo, marcadas para 28, 30 e 31 de outubro de 2026.

O que é o BTSnomics, segundo os analistas

O termo foi cunhado para descrever um efeito que vai muito além da bilheteria. Segundo reportagem da agência Reuters, a conta da NH Investment & Securities inclui a receita direta dos shows e também o consumo secundário: viagens, hospedagem, alimentação, cosméticos e produtos oficiais que os fãs compram no caminho.

Os números da própria Coreia do Sul dão a dimensão da coisa. Na semana anterior ao show de retorno do grupo, em março, as vendas de produtos de k-pop no bairro de Myeongdong, em Seul, saltaram 430%. As lojas de departamento da região também sentiram o efeito: a Lotte registrou receita 30% maior que no ano anterior, e a Shinsegae, alta de 48%. Nos primeiros 18 dias de março, a entrada de turistas no país cresceu 32,7% em relação ao mês anterior.

A reportagem traz exemplos que qualquer fã brasileiro reconhece: a canadense Maria Herrera contou ter gastado cerca de 5 mil dólares canadenses (US$ 3.644) em uma semana em Seul, enquanto a mexicana Stephanie Gonzalez desembolsou aproximadamente 90 mil pesos (US$ 5.028) para acompanhar o grupo de perto.

ARMY no PIB: as projeções até 2040

Em maio, um segundo relatório da NH Investment & Securities, assinado pela pesquisadora Jung Yeo-kyung e repercutido pelo jornal Korea JoongAng Daily, foi ainda mais longe: o fandom do BTS pode elevar o PIB anual da Coreia do Sul em até 0,35 ponto percentual por volta de 2040.

A lógica é geracional. Hoje, 84% dos fãs do grupo estão na adolescência ou na casa dos vinte e poucos anos — a estimativa é de 86,5 milhões de potenciais fãs entre 10 e 29 anos em países emergentes da Ásia e das Américas. Quando essa geração chegar aos 30 e 40 anos, com renda própria, o poder de compra do fandom explode. Só em turismo, o relatório projeta entre US$ 3,3 bilhões e US$ 13,4 bilhões por ano entrando na economia coreana, com até 4,3 milhões de turistas adicionais visitando o país anualmente.

Fãs do BTS no Brasil: três noites esgotadas no MorumBIS

Se alguém achava que o hiato do serviço militar esfriaria o fandom brasileiro, a venda de ingressos provou o contrário. Quando as datas de São Paulo foram abertas, em abril, a pré-venda para membros do ARMY Membership reuniu 630 mil pessoas na fila virtual, e a venda geral, no dia 10 de abril, levou cerca de 1,9 milhão de compradores à Ticketmaster — para uma demanda estimada em 3,7 milhões de ingressos. Resultado: todos os setores das três datas esgotaram em menos de uma hora e meia.

Os valores praticados mostram o tamanho do investimento dos fãs brasileiros:

Nos dias de show, os portões do MorumBIS abrem às 16h e as apresentações começam às 20h, no horário de Brasília. A passagem por São Paulo faz parte da perna latino-americana da ARIRANG, turnê que soma mais de 80 apresentações em 23 países e promove o álbum homônimo lançado em 20 de março — o primeiro do grupo completo desde o fim do serviço militar dos integrantes.

Por que o fandom movimenta tanto dinheiro

O segredo do ARMY não é só o tamanho, é a organização. O fandom funciona como uma rede global descentralizada, com bases nacionais que coordenam projetos de streaming, compras coletivas de álbuns e ações beneficentes — uma infraestrutura que transforma lançamento em evento e ingresso em item de colecionador. Em meados de julho, o grupo alimentou essa engrenagem mais uma vez com o clipe oficial de "NORMAL", nona faixa do álbum ARIRANG:

Para os economistas mais céticos, shows isolados raramente mudam a economia de um país. Mas, entre recordes de bilheteria, bairros de Seul lotados e um estádio brasileiro esgotado três vezes em minutos, uma coisa é difícil de negar: poucos artistas no mundo — talvez só Taylor Swift em escala comparável — conseguem mobilizar tanto consumo quanto os fãs do BTS.

Perguntas frequentes

Quando o BTS se apresenta no Brasil em 2026?

O BTS faz três shows no estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026, como parte da turnê mundial ARIRANG. Os portões abrem às 16h e os shows começam às 20h, no horário de Brasília.

O que é BTSnomics?

BTSnomics é o termo usado por analistas da corretora sul-coreana NH Investment & Securities para descrever o impacto econômico gerado pelo BTS e seus fãs: a estimativa é de cerca de 8 trilhões de wons (US$ 5,3 bilhões) em gastos nas cidades que recebem a turnê ARIRANG, somando ingressos, viagens, hospedagem e consumo.

Quanto os fãs do BTS movimentam na economia?

Além dos US$ 5,3 bilhões projetados para a turnê de 2026, um relatório da NH Investment & Securities estima que o ARMY pode elevar o PIB anual da Coreia do Sul em até 0,35 ponto percentual até 2040, com receita de turismo entre US$ 3,3 bilhões e US$ 13,4 bilhões por ano.

Ainda dá para comprar ingresso para o BTS no Brasil?

Os ingressos das três datas em São Paulo esgotaram em menos de uma hora e meia na Ticketmaster, canal oficial de vendas. A recomendação é acompanhar os canais oficiais para eventuais reaberturas de lotes e evitar cambistas e sites não oficiais, onde há alto risco de golpe.

Fontes

#BTS#ARMY#K-pop#Arirang#BTSnomics
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