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K-Pop

Funk brasileiro no K-pop vira polêmica: fãs cobram respeito do ATEEZ em "BAD"

Por Min-Jae Lee
ATEEZ em apresentação, grupo por trás da polêmica de "BAD" e o uso do funk brasileiro

ATINYs brasileiros lançaram a campanha #RespectBrazilianATINY depois que o ATEEZ usou a batida do funk brasileiro em "BAD" sem nenhuma letra em português nem qualquer ação da KQ Entertainment voltada ao Brasil.

Fãs brasileiros do ATEEZ organizaram a campanha #RespectBrazilianATINY nas redes sociais nos dias seguintes ao lançamento de "BAD", faixa de abertura do EP GOLDEN HOUR: Part.5, divulgado em 26 de junho de 2026. O motivo do protesto: a música usa a batida característica do funk brasileiro, mas não tem nenhuma palavra em português — e o grupo nunca lançou edição especial, data de turnê ou qualquer ação voltada ao público brasileiro.

"BAD" tem batida de funk, mas nenhuma linha em português

"BAD" mistura funk brasileiro, reggaeton e trap na produção, mas as letras são cantadas inteiramente em coreano e espanhol. Um dos trechos mais criticados pelos fãs foi o verso "We feel like if we're Latinas", que, segundo os ATINYs, confunde identidades regionais e trata o Brasil como parte de um "pacote latino" genérico, sem reconhecer o país como origem específica do ritmo. O clipe oficial, estrelado pela atriz Chase Infiniti, reforça essa estética latina de vitrine, com referências visuais amplas que não remetem diretamente ao Brasil.

Campanha #RespectBrazilianATINY: o que os fãs pedem

Organizados no X (antigo Twitter), os fãs descrevem o caso como uso da identidade cultural brasileira para ampliar o alcance comercial do lançamento, sem contrapartida simbólica ou logística para o público local. Entre as reivindicações documentadas pelo movimento:

Até a publicação desta matéria, nem o ATEEZ nem a KQ Entertainment haviam se pronunciado sobre a campanha.

Por que o K-pop se rendeu ao funk brasileiro

Segundo o crítico musical sul-coreano Lim Hee-yun, produtores como 250 — responsável por "ETA", do NewJeans — enxergam no funk brasileiro "uma música extremamente intensa, com capacidade de criar picos poderosos", características que combinam com a estética performática do K-pop. A percussão marcante e os ritmos repetitivos do gênero também favorecem coreografias e vídeos curtos para redes sociais, já que o groove é reconhecível em poucos segundos. Some a isso o interesse das gravadoras coreanas em conquistar públicos latino-americanos e hispânicos nos Estados Unidos ao mesmo tempo, e fica mais fácil entender por que o ritmo brasileiro virou peça recorrente nas produções recentes.

Funk brasileiro virou tendência no K-pop, mas nem sempre com crédito

O caso do ATEEZ não é isolado. O NewJeans abriu caminho em 2023 com "ETA", que chegou à posição 81 da Billboard Hot 100; o TXT colaborou com Anitta e a dupla brasileira Tropkillaz em "Back for More", também em 2023; a Aespa lançou um remix de "Better Things" assinado pelos próprios Tropkillaz; e a Nmixx já explorava a batida desde o debute "O.O", em 2022. Mais recentemente, o ENHYPEN emplacou "Bloody Paradise" cumprindo uma promessa feita meses antes aos fãs brasileiros durante uma passagem pelo "The Noite", do SBT — um dos poucos casos em que o grupo reconheceu publicamente a origem do ritmo antes do lançamento.

Nem todo mundo escapa da crítica: o P1Harmony já havia sido alvo de comentários parecidos em março de 2026, com o EP "UNIQUE", que trouxe batidas inspiradas no funk cantadas inteiramente em espanhol. Na época, o integrante Jongseob justificou a escolha dizendo que "o gênero funk tem muitas músicas em espanhol".

O que diz quem produz o gênero de verdade

Zegon, da dupla brasileira Tropkillaz — que já produziu para nomes como NCT 127, LISA e LE SSERAFIM —, explica a versatilidade do funk brasileiro nas produções internacionais: "Tem trap, tem melódico, tem R&B... encaixa fácil no pop global." Para os fãs que protestam, porém, o problema não é o gênero em si, e sim a ausência de profissionais brasileiros nos créditos e de qualquer retorno concreto ao país — o que transformaria, na visão deles, um intercâmbio cultural genuíno em exploração comercial.

Onde ouvir e assistir no Brasil

O EP GOLDEN HOUR: Part.5 e o clipe de "BAD" já estão disponíveis nas principais plataformas — Spotify, Apple Music e no canal oficial do ATEEZ no YouTube — sem qualquer restrição para o público brasileiro, apesar da ausência de ações locais por parte da KQ Entertainment.

Perguntas frequentes

Quando "BAD", do ATEEZ, foi lançada?

Em 26 de junho de 2026, como faixa de abertura do EP "GOLDEN HOUR: Part.5".

Por que os fãs brasileiros estão protestando contra o ATEEZ?

Porque "BAD" usa a batida do funk brasileiro sem nenhuma letra em português e sem que a KQ Entertainment tenha lançado edições especiais, datas de turnê ou eventos voltados ao Brasil.

O que é a campanha #RespectBrazilianATINY?

Um movimento organizado por fãs brasileiros do ATEEZ nas redes sociais, pedindo um posicionamento oficial da KQ Entertainment sobre o uso do funk brasileiro no lançamento.

Outros grupos de K-pop já usaram funk brasileiro?

Sim. NewJeans, TXT, Aespa, Nmixx, ENHYPEN e P1Harmony incorporaram elementos do ritmo em lançamentos recentes, com repercussão variada entre os fãs brasileiros.

Perguntas frequentes

Quando "BAD", do ATEEZ, foi lançada?

Em 26 de junho de 2026, como faixa de abertura do EP "GOLDEN HOUR: Part.5".

Por que os fãs brasileiros estão protestando contra o ATEEZ?

Porque "BAD" usa a batida do funk brasileiro sem nenhuma letra em português e sem que a KQ Entertainment tenha lançado edições especiais, datas de turnê ou eventos voltados ao Brasil.

O que é a campanha #RespectBrazilianATINY?

Um movimento organizado por fãs brasileiros do ATEEZ nas redes sociais, pedindo um posicionamento oficial da KQ Entertainment sobre o uso do funk brasileiro no lançamento.

Outros grupos de K-pop já usaram funk brasileiro?

Sim. NewJeans, TXT, Aespa, Nmixx, ENHYPEN e P1Harmony incorporaram elementos do ritmo em lançamentos recentes, com repercussão variada entre os fãs brasileiros.

Fontes

#ATEEZ#Funk brasileiro#KQ Entertainment#K-pop
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