Mina Chan, influenciadora japonesa de 26 anos que morava em Seul, na Coreia do Sul, morreu na madrugada do dia 5 de agosto de 2026, durante uma transmissão ao vivo no TikTok. A polícia do distrito de Yongsan foi acionada por volta das 5h33 e encontrou a jovem sem vida em seu apartamento. O caso é tratado pelas autoridades como aparente suicídio e reacendeu, na Coreia do Sul e no mundo, o debate sobre assédio virtual dentro dos fandoms de K-pop — Mina vinha sofrendo uma onda de ataques de parte dos fãs do grupo ENHYPEN nas semanas anteriores.
Aviso: esta reportagem trata de suicídio. Se você está passando por um momento difícil, procure ajuda — no Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Quem era Mina Chan
Conhecida nas redes pelos perfis sweeter_nk e minann22, Mina Chan era japonesa e vivia em Seul, onde reunia cerca de 80 mil seguidores no TikTok com conteúdos sobre sua rotina na Coreia do Sul e sua vida de fã de K-pop. Ela era presença conhecida no fandom do ENHYPEN: acompanhava o grupo em shows e eventos de fansign, e tinha o dançarino Ni-ki como integrante favorito.
A sequência de acontecimentos
Segundo a imprensa coreana e brasileira, a crise começou no fim de julho, depois de um show do ENHYPEN nos Estados Unidos. Um gesto de Mina envolvendo a entrega de flores aos integrantes Sunoo e Ni-ki repercutiu mal entre parte do fandom, que a acusou de ultrapassar limites para chamar atenção dos artistas.
Dias depois, em uma live, Ni-ki comentou — sem citar nomes — que ficava chateado com fãs que, em shows, pareciam querer atenção apenas para si. Internautas rapidamente associaram a fala a Mina, e os ataques contra ela se multiplicaram nas redes.
Em 31 de julho, a influenciadora publicou um longo pedido de desculpas e anunciou que fecharia sua conta. “Sinto que minhas ações acabaram se aproveitando da gentileza de Sunoo. Sinto muito mesmo”, escreveu. Mesmo assim, o assédio continuou.
Na madrugada de 5 de agosto, durante uma transmissão ao vivo, uma pessoa próxima percebeu que Mina corria risco e acionou a polícia — espectadores no TikTok e no X também pediram a intervenção das autoridades. Ela foi encontrada sem vida em casa, no distrito de Yongsan. No dia seguinte, a irmã mais nova confirmou a morte pelo Instagram: “Minha querida irmã mais velha, que sempre foi gentil e calorosa com todos que conhecia, se foi.”
O que dizem a polícia e a agência do ENHYPEN
A polícia de Yongsan confirmou a morte e investiga as circunstâncias, tratando o caso como aparente suicídio. Até agora, as autoridades não informaram se os ataques virtuais contra a influenciadora serão apurados como crime.
A BELIFT LAB, agência do ENHYPEN, negou que o comentário feito por Ni-ki na live tivesse como alvo uma pessoa específica. Até a publicação desta matéria, nem o grupo nem a agência haviam se pronunciado publicamente sobre a morte de Mina.
Caso reacende debate sobre assédio nos fandoms de K-pop
A morte de Mina Chan trouxe de volta uma discussão dolorosa e conhecida da indústria do K-pop: o peso dos ataques coordenados nas redes sociais. A Coreia do Sul já viveu tragédias marcantes ligadas ao cyberbullying, como as mortes das artistas Sulli e Goo Hara, em 2019, que motivaram projetos de lei mais duros contra o assédio online no país.
Desta vez, a vítima não era uma idol, mas uma fã — o que escancara como a cultura de vigilância e linchamento virtual pode atingir qualquer pessoa dentro das comunidades. Veículos internacionais destacam que o caso renovou a pressão por respostas mais firmes de plataformas, agências e autoridades diante de campanhas de ódio organizadas.
Onde buscar ajuda no Brasil
- CVV (Centro de Valorização da Vida): ligue 188 (gratuito, 24 horas) ou acesse cvv.org.br para chat e e-mail.
- CAPS e UBS: a rede pública de saúde oferece acolhimento e atendimento psicológico gratuito.
- Em emergências, ligue 192 (SAMU) ou procure o hospital mais próximo.




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