A influenciadora brasileira Pietra Bertolazzi se tornou o assunto mais comentado do fandom de k-pop no Brasil nesta semana. Depois de criticar a apresentação do BTS no show do intervalo da final da Copa do Mundo, em 19 de julho, e chamar os integrantes de "afeminados", ela foi alvo de uma reação em massa do ARMY — que foi de denúncias ao perfil até a inscrição dela como mesária voluntária em vários estados. Na quinta-feira (24), Pietra divulgou uma nota oficial classificando os ataques como obra de uma "organização criminosa" e afirmou que o caso está na Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo.
O que Pietra Bertolazzi disse sobre o BTS
Tudo começou logo após a final da Copa do Mundo de 2026, disputada no MetLife Stadium, na região de Nova York. Pela primeira vez, a decisão do Mundial teve um show de intervalo nos moldes do Super Bowl: cerca de 11 minutos de apresentação, com curadoria musical de Chris Martin, do Coldplay, e um elenco que reuniu BTS, Shakira, Justin Bieber, Madonna e Burna Boy, entre outros nomes.
Enquanto o ARMY brasileiro celebrava o grupo no maior palco do futebol mundial, Pietra publicou no Instagram um desabafo em tom bem diferente: "De tudo que vi hoje na final da Copa, nada me chocou mais do que saber que um grupo de homens afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas, que me deram verdadeira vergonha alheia, é uma das maiores referências que essa geração atual tem", escreveu a influenciadora, conhecida por posicionamentos conservadores nas redes.
A publicação foi apagada depois da repercussão negativa, mas os prints já circulavam — e fãs passaram a acusá-la de homofobia e xenofobia.
A resposta do ARMY: mesária, filiação ao PT e dados vazados
A reação do fandom foi além das respostas e denúncias ao perfil. Segundo as reportagens sobre o caso, fãs teriam:
- divulgado dados pessoais da influenciadora, como telefone e CPF;
- inscrito Pietra como mesária voluntária da Justiça Eleitoral em diferentes estados do país;
- filiado a influenciadora ao Partido dos Trabalhadores (PT) sem o consentimento dela;
- enviado fotos oficiais do presidente Lula para a casa dela.
As "vinganças criativas" viralizaram e dividiram opiniões: parte do público tratou os episódios como piada, enquanto juristas e criadores de conteúdo lembraram que vazar dados pessoais (o chamado doxxing), usar CPF alheio em cadastros e falsificar filiação partidária são práticas que podem configurar crime no Brasil, independentemente do que motivou a retaliação.
"Organização criminosa": o que diz a nota oficial
No dia 24 de julho, Pietra quebrou o silêncio com uma nota oficial enviada à imprensa. No texto, ela classifica a ofensiva dos fãs como uma "organização criminosa" coordenada e afirma que cada ameaça recebida está sendo anexada a um inquérito na Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo, com alguns envolvidos já identificados.
A nota lista os crimes que, segundo a defesa dela, teriam sido cometidos: associação criminosa, organização criminosa, fraude eletrônica, invasão de dispositivo informático, falsa identidade, falsidade ideológica, ameaça, perseguição (stalking) e crimes contra a honra.
Pietra também negou que o comentário original tenha sido homofóbico ou xenofóbico, alegando que criticou apenas uma "estética específica" — argumento que não convenceu os fãs, que seguem repercutindo o caso nas redes.
Por que o caso mobilizou tanto o fandom no Brasil
O ARMY brasileiro é historicamente um dos maiores e mais organizados do mundo, e o show na final da Copa tinha um peso simbólico enorme: foi a primeira grande apresentação do BTS completo em um evento global desde o fim do serviço militar dos integrantes. Para os fãs, o ataque veio justamente no momento de celebração máxima do grupo — o que explica (ainda que não justifique juridicamente) o tamanho da resposta.
Até o momento, nem o BTS nem a HYBE, empresa do grupo, se manifestaram publicamente sobre a polêmica, segundo as fontes consultadas. O caso segue em investigação.




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